O natural e o sobrenatural

29/11/2015 19:54

    Num dia comum, ao olhar para o céu, percebi-me surpreso com algo normal: uma grande nuvem que pairava no céu. Fui tomado por um sentimento de espanto ao perceber que havia uma grande quantidade de água simplesmente a flutuar tranquila em meio ao ar. Já tinha me admirado por isso outras vezes, mas nessa em específico surgiu um pensamento em especial: isso é sobrenatural. Após algum tempo, estava tomado por pensamentos que me conduziam a ver o mundo como qualquer coisa, menos normal.

    Acredito que seja possível passar uma vida, talvez a eternidade, pensando e analisando a complexidade da criação. Se possível, pare e pense na complexidade do nosso planeta e tudo que ele nos fornece para permitir a vida: água limpa, ar puro, chuva e alimentos. Para que cada item desse chegue a nós há diversos ciclos complexos ligados entre si: o ciclo da água na natureza, as correntes de ar e a atmosfera, o processo de fotossíntese e a estrutura de uma planta ou de um animal. Isso sem contar o assombroso funcionamento do corpo humano, que é flexível, forte, robusto e criativo, repleto de sentimentos e pensamentos que se misturam para tomar decisões e atitudes algumas vezes imprevisíveis.

    Mais interessante ainda é notar o quanto as pessoas tomam por normal toda essa complexidade interligada e interdependente, que ao mesmo tempo é particularmente fascinante e surpreendente. Na correria do cotidiano, banalizamos o sobrenatural e o tomamos por natural. É como se fosse simples coisas como o sol nascer, uma planta crescer e dar fruto, os animais se desenvolverem e as pessoas aprenderem. Definitivamente não são, mas a humanidade se acostumou em comemorar seus feitos, muito menores em complexidade, abrangência e intensidade, que as obras do Criador. Compreender e utilizar para benefício próprio a dinâmica natural passou a ser mais valioso que a espantosa realidade dessa dinâmica.

    A humanidade parece não apenas ter banalizado o poder do Criador, mas também criou uma barreira contra tudo o que está fora do alcance de sua compreensão. Envoltos no meio da burocracia dos processos humanos, tais como contratos, entrevistas de emprego, concursos e programas de pós-graduação, o mundo "civilizado" nega qualquer coisa que não se encaixe no seu padrão de compreensão do mundo. "Milagres não existem", eles dizem, enquanto zombam de todos aqueles que acreditam na inteligência maior que criou todo o complexo sistema no qual estamos inseridos.

    O pior é imaginar que esse mesmo sentimento alcança até aqueles que dizem crer na realidade desse Criador. Já tão acostumados as rotinas da sociedade, relegam ao sobrenatural um papel inferior, talvez como última opção. Desprezam, assim, o exemplo e a vida daquele que eles alegam ser seu próprio padrão de vida, Jesus Cristo, que foi "aprovado por Deus diante de vocês por meio de milagres, maravilhas e sinais" Atos 2:22. Se cremos num Deus sobrenatural e o sobrenatural nunca teve um papel secundário no ministério de Cristo, por que em nossas vidas deveria ser diferente?

    Creio que há um chamado especial da parte Deus para a Sua Igreja para que esta deixe de se dobrar frente aos ídolos da sociedade moderna (economia, tecnologia, medicina, sistema judiciário, governo). Fazendo isso, ela poderá voltar seu deslumbre, confiança e devotar sua vida novamente a quem comanda este mundo, acreditando no Seu poder e vivendo o sobrenatural diariamente. Chega de submissão a coisas secundárias, é hora de voltar nossos olhos a aquele de onde tudo se origina. Com isso, termos como impossível, desesperança e vazio vào sair do nosso vocabulário à medida que nos relacionamos e vivemos em comunhão com o Deus para quem o sobrenatural é natural.